Substitua a marca. Troque o seu velho Marlboro por um cigarro bem vagabundo. Ex: um tal de Euro --ô cigarrinho, viu! Esse é (literalmente) intragável.
Feita a troca, e você vai pouco a pouco e gradativamente abandonando o vício. O fumo deixa de ser um prazer.
Tuesday, June 07, 2005
A comediante
Muito se diz a respeito de Marilyn Monroe, mas sempre que falam do sexy simbol, ou do ícone Marilyn, ou da imortal estrela de cinema, eu sinto que deixam de fora algo de relevante -- Marilyn era muito engraçada.
Poxa! Eu rolo de rir com a Marilyn naquelas comédias anos cinquenta. O jeito meio malicioso, meio ingênuo... as caras e bocas; ou melhor: boquinhas e biquinhos; os trejeitos pequeninos e petulantes, que simplesmente dominavam as cenas. Tudo na Marilyn era comédia pura.
Quem viu Os Homens Preferem as Loiras talvez lembre de uma cena (dentre muitas) engraçada, e que eu considero inesquecível:
A personagem de Marilyn está sendo acusada de roubar uma tiara muito valiosa. Quando ela é finalmente encurralada pela acusadora, a "morena" da história, contando com a inocência da amiga, tenta defendê-la:
-- Vamos querida, diga para ela que você não roubou a tiara!
Não precisou de nenhuma réplica, bastou olhar para a carinha culpada e o jeitinho amedrontado e envergonhado para a morena saber da verdade: Sim, ela havia roubado a tiara.
-- Oh não!
E a acusadora, enquanto se retira, diz:
-- Vocês vão ver que eu não sou nenhuma palhaça!
-- Espere! --diz a morena, detendo a velha, que fica parada na porta-- Então porque usa o chapéu?-- e o chapéu da mulher era ridículo! Enquanto isso a Marilyn, quase que sem usar o texto, demonstra ser uma verdadeira comediante, ganhando a cena com suas caras e bocas.
No mesmo filme, a personagem de Merilyn dá o arranca rabo decisivo em seu futuro sogro. E eu, tal como o velho da história, fico sem entender patavina do que ela diz, simplesmente por estar concentrado demais no jeitinho petulante e nos olhinhos semi-serrados e afoitos da Marilyn.
Gosto muito de Os Homens preferem as Loiras, e também do Como agarrar um milionário, que é onde a Marilyn faz uma quase ceguinha desajeitada, que não vive sem os óculos.
Poxa! Eu rolo de rir com a Marilyn naquelas comédias anos cinquenta. O jeito meio malicioso, meio ingênuo... as caras e bocas; ou melhor: boquinhas e biquinhos; os trejeitos pequeninos e petulantes, que simplesmente dominavam as cenas. Tudo na Marilyn era comédia pura.
Quem viu Os Homens Preferem as Loiras talvez lembre de uma cena (dentre muitas) engraçada, e que eu considero inesquecível:
A personagem de Marilyn está sendo acusada de roubar uma tiara muito valiosa. Quando ela é finalmente encurralada pela acusadora, a "morena" da história, contando com a inocência da amiga, tenta defendê-la:
-- Vamos querida, diga para ela que você não roubou a tiara!
Não precisou de nenhuma réplica, bastou olhar para a carinha culpada e o jeitinho amedrontado e envergonhado para a morena saber da verdade: Sim, ela havia roubado a tiara.
-- Oh não!
E a acusadora, enquanto se retira, diz:
-- Vocês vão ver que eu não sou nenhuma palhaça!
-- Espere! --diz a morena, detendo a velha, que fica parada na porta-- Então porque usa o chapéu?-- e o chapéu da mulher era ridículo! Enquanto isso a Marilyn, quase que sem usar o texto, demonstra ser uma verdadeira comediante, ganhando a cena com suas caras e bocas.
No mesmo filme, a personagem de Merilyn dá o arranca rabo decisivo em seu futuro sogro. E eu, tal como o velho da história, fico sem entender patavina do que ela diz, simplesmente por estar concentrado demais no jeitinho petulante e nos olhinhos semi-serrados e afoitos da Marilyn.
Gosto muito de Os Homens preferem as Loiras, e também do Como agarrar um milionário, que é onde a Marilyn faz uma quase ceguinha desajeitada, que não vive sem os óculos.
HAHAhahahahahahahah...Ai, ai! My Mistake! Essa é a morena da história...Vira a página aí!
Friday, June 03, 2005
Literatura brasileira
A coisa- não- deus é o primeiro romance de Alexandre Soares Silva, que também escreve neste afamado blog .
Na verdade, o que me levou a adquirir o livro do Alexandre não foi o blog (que creio ainda não existir por essa época), mas sim a leitura que fiz de suas colunas no site Digestivo Cultural. Fiquei curioso em saber como alguém que escrevia tão abertamente sobre literatura, na Internet, se sairia escrevendo um romance.
O livro, narrado em primeira pessoa- o biógrafo do personagem central- conta a história de Júlio Dapunt, um garoto paulistano que está predestinado a ter, após a morte, um...aham destino completamente diferente dos demais. É que para todas as pessoas que vivem (ou já viveram)- e descontando o fato de que para algumas seja possível reencarnar- existirá a eternidade no além, com inferno e paraíso, enquanto que para Júlio está reservado um “desfecho” ateu- o nada. Mas este detalhe não reflete um possível capricho cruel de uma divindade, que aliás nem mesmo os anjos sabem se realmente existe- Ah! Mas deixemos de lado essa questão metafísica.
O problema é acidental, e Júlio, por ser vítima de um...digamos, acaso cósmico, acaba se tornando o centro de um verdadeiro abalo nas esferas celestiais, fazendo com que os anjos, após muitas ponderações, decidam oferecer-lhe em vida, como forma de recompensa, todos os deleites que ele jamais terá após a morte- pois que irá desaparecer no vácuo. Dentre essas regalias do além, pode-se destacar: belas mulheres, atrizes de cinema, contato com artistas e poetas já falecido, êxtase com substâncias especiais, festas e jantares, desfiles apoteóticos, competições esportivas, etc. Aqui vale lembrar que o paraíso do romance é um lugar físico, sendo que “lá” as sensações são mais vivas que no plano terrestre- este detalhe me fez lembrar dos conceitos do místico Emanuel Swedenborg sobre céu e inferno- onde as pessoas, após a morte, continuam com a personalidade que tinham em vida; personalidade esta que será decisiva para a distribuição das “almas corpóreas” em suas respectivas moradas eternas; ou seja, esqueça aqui os usuais conceitos de pecado e redenção. Aliás, os tais prazeres celestiais, listados acima, são pra lá de mundanos...convenhamos. O único pecado no paraíso de A coisa-não-deus é o mau gosto (ou mau gosto e rudeza); e é neste detalhe do livro que se percebe a característica principal do “internauticamente” conhecido estilo de Alexandre. Ter desenvolvido ao máximo a própria personalidade (Oscar Wilde), eis aqui o requisito básico para adentrar no paraíso de A coisa-não-deus- Quaresmeiras Roxas. Mas Júlio, por seu lado, não tem o que poderíamos chamar de uma personalidade desenvolvida. Tímido e introspectivo, se revela incapaz de aproveitar os prazeres que os céus lhe oferecem de mãos beijadas- aqui eu me lembro da fábula da raposa e da cegonha- tudo que Julio poderia desejar está, teoricamente, ao seu alcance; porém nada pode ser feito dos obstáculos de suas muitas limitações mundanas: timidez, introspecção, ausência de charme. Julio tem até mesmo problemas para se comunicar, por causa de sua péssima dicção
No início do romance, o biógrafo de Julio deixa claro que não se importa com certos problemas ditos modernos, como a incomunicabilidade entre as pessoas (Kieslowski) , e é aqui que está um dos pontos (oh! tensões) dramáticas do livro. A pessoa escolhida para servir de elo entre Júlio e o paraíso –o biografo da história- não está muito interessada nas limitações e problemas de Júlio; e ainda que estivesse, tudo indica que nada poderia ser feito a respeito. A atenção do livro fica assim apoiada e dividida no contraponto entre o drama particular de Júlio (drama mais para os outros que para ele próprio) e as excentricidades do paraíso, das quais o biógrafo participa. No espaço narrativo também há dualidade: a oscilação entre trechos que se passam na terra (em São Paulo), descritos com aspereza, e trechos no paraíso, o lugar ideal para se viver uma “vida eterna refinada”, e por onde desfilam tipos e referências da cultura, que vão desde o erudito até o universo pop- e do pop até o popizinho.
O problema do romance (não estou dizendo que o livro é ruim) é que os pontos de vista do escritor (biógrafo) não saem de cena por um segundo sequer; até aí tudo bem, pois estamos falando de um escritor-personagem com um estilo bem característico e pessoal ; mas a questão é: por essa mesma presença constante do autor (lê-se: a mente do biógrafo), o leitor é praticamente lançado em uma encruzilhada emocional, e obrigado a se decidir se sente pena do Júlio (e se revolta contra os céus e seus charmosos habitantes), ou se pouco se importa com a sua incomum situação - e essa escolha emocional acaba sendo decisiva para inserir o leitor em uma das duas “facções” nascidas do “racha” no paraíso, que dividiu os personagens entre os que se apiedam de Júlio e os que sacodem os ombros para a questão; sendo que a predileção do autor fica nitidamente voltada para esses últimos. E, por essa mesma escolha emocional, o leitor também fica ciente de qual seria sua própria (fictícia) morada eterna; ou seja, se é ou não é merecedor do paraíso de A coisa-não-deus. O ponto problemático não é a posição do autor diante da questão central (que talvez também seja a mesma que a minha), mas sim a insistência em demonstrar essa posição- às vezes cansa. E todo o esplendor do paraíso acaba se projetando e dependendo do Julio para poder reluzir, quando o ideal talvez fosse o contrário: as maravilhas do paraíso reforçarem o extremo oposto- a miséria do Julio –deixando assim o leitor livre da estranha sensação de estar sendo emocionalmente manipulado pelo autor.
Em dado momento, uma questão é lançada no livro: a renúncia ao mundo, feita por Júlio, é ou não é uma atitude covarde? Não sei, creio que não. A apatia do personagem só demonstra que suas intenções e desejos se desenvolvem apenas em sua mente (ele se considerava um gênio e queria ter uma banda de rock).. E, se não há o real desejo, também não há razão para lutar; o que faz dessa renúncia algo sem importância. Talvez, no fundo, o Júlio ache tudo aquilo um saco –é uma hipótese.
Mas o romance está acima da média da literatura brasileira atual e da literatura juvenil em geral, destacando-se tanto pelo tema incomum, quanto pela linguagem leve e acessível. Tendo ainda momentos bem bonitos (a primeira visita ao paraíso, a morte de Júlio) e de humor (os rumores e relatos a respeito de Júlio, feitos por figuras conhecidas: Louise Brooks, Sá Carneiro, Evelyn Waugh, etc...ou Churchill levando uma vida de escritor policial no paraiso) fazem com que valha a pena ler.
Aliás, creio que essa minha análise ficou um tanto cerebral; e agora me ocorre outro contraponto do livro: a sisudez estudada versus o divertimento sem compromisso. A arte, para a maioria dos personagens deste romance, é como um parque de diversões, ou um ônibus roxo com histórias em quadrinhos dentro; e por alguma obra do acaso (ou maquinações literárias), os personagens que se revoltam com o destino de Júlio são os mesmos que buscam seriedade e sentido para tudo, e não despertam lá muita simpatia no autor. Nesse sentido, A coisa-não-deus está mais próximo de uma história em quadrinhos ou de um conto fantástico do que de um livro sobre pequenas e grandes tragédias humanas, batalhas do espírito e todas aquelas coisas já bem exploradas no passado.
Alexandre Soares Silva/ A coisa-não-deus
São Paulo: Beca, 2000
Thursday, June 02, 2005
Everybody Knows
And everybody knows that you're in trouble
Everybody knows what you've been through
From the bloody cross on top of Calvary
To the beach of Malibu...
Leonard Cohen
Everybody knows what you've been through
From the bloody cross on top of Calvary
To the beach of Malibu...
Leonard Cohen
Vou-me embora pra Tangamandápio
Vou me embora pra Tangamandápio
Lá evito a fadiga
Lá tenho a vizinhança que quero
No pátio que escolherei
Jaiminho, o carteiro
Lá evito a fadiga
Lá tenho a vizinhança que quero
No pátio que escolherei
Jaiminho, o carteiro
My Definition
Mula-sem-cabeça é alguém que é capaz de enxergar elementos nocivos -tanto no aspécto cultural quanto no estético - em coisinhas singelas e banais, como o floclore.
Wednesday, June 01, 2005
Louco eu?
Às vezes sou acometido por ataques de surto seguidos de algum comportamento fora do comum, e isso já é natural. Mas tem horas que chego a me espantar.
Dia desses estava eu subindo uma rua qualquer do centro, quando vejo um garoto passando por mim e seguindo na mesma direção. De relance pude perceber que o rapaz era tímido- daquela espécie de timidez que deixa uma certa melancolia nos olhos. Ele estava com uma dessas camisas de banda de rock, com letra de música estampada nas costas- a que ele usava era uma dos Beattles, com a letra de Lucy in the Sky with Diamonds.
Pois bem, numa dessas eu, sem nada melhor pra fazer durante a solitária caminhada, resolvo cantarolar a dita cuja enquanto estalo os dedos. Como ele estava na minha frente, acompanhei a letra da música lendo a camisa.
O pobrezinho, não sabendo direito como agir (timidez é isso), resolve apertar os passos na tentativa de se desvencilhar de mim. E eu, que não sou bobo nem nada, também acelerei e continuei cantando e estalando os dedos.
A esdrúxula perseguição durou uns cinco minutos, só tendo fim no momento em que o garoto atravessa a rua e praticamente corre para se esconder de mim.
Dia desses estava eu subindo uma rua qualquer do centro, quando vejo um garoto passando por mim e seguindo na mesma direção. De relance pude perceber que o rapaz era tímido- daquela espécie de timidez que deixa uma certa melancolia nos olhos. Ele estava com uma dessas camisas de banda de rock, com letra de música estampada nas costas- a que ele usava era uma dos Beattles, com a letra de Lucy in the Sky with Diamonds.
Pois bem, numa dessas eu, sem nada melhor pra fazer durante a solitária caminhada, resolvo cantarolar a dita cuja enquanto estalo os dedos. Como ele estava na minha frente, acompanhei a letra da música lendo a camisa.
O pobrezinho, não sabendo direito como agir (timidez é isso), resolve apertar os passos na tentativa de se desvencilhar de mim. E eu, que não sou bobo nem nada, também acelerei e continuei cantando e estalando os dedos.
A esdrúxula perseguição durou uns cinco minutos, só tendo fim no momento em que o garoto atravessa a rua e praticamente corre para se esconder de mim.
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