O discurso é a coisa mais enjoativa que há. Assim como aqueles alimentos açucarados que atiçam a vontade pelos sentidos, pra só então trocarem por repulsa completa o prazer que se sente no início; o discurso tem sobre as pessoas o efeito que uma pedra de açúcar tem sobre as formigas: elas se esbaldam até morrerem - numa espécie de sarjeta - por cima do doce ainda exposto. É quando as tão virtuosas formigas se mostram desprezíveis seres ceifados por um vício momentâneo.
E como são doces as palavras de um discurso novo que nos agrada; e quanto mais agradável elas forem, maior será o enjôo sentido no futuro, quando da perda da novidade.
Nem mesmo a forma salva o discurso.
Wednesday, March 08, 2006
Sunday, March 05, 2006
Madame Bovary
Terminei de ler o livro sentindo uma grande pena de todos aqueles personagens, sem excessão. Um imenso dó de todos eles, por todas aquelas situações trágicas e embaraçosas, aquelas vidas achatadas pela mediocridade, pela repetição, pelo tédio ...Avancei para as últimas páginas com o coração vindo à boca e o aperto maior foi pelo pobre Carlos, que se despedaçou aos poucos até sucumbir diante da morte - morreu de tristeza, o coitado. Mas também foi angustiante toda a situação que precedeu o suicídio, e a Ema, pedecendo as dores do envenenamento, também acabou sendo dígna de profunda pena. Enfim, senti pena dela, do Carlos, da velha e sisuda mãe do Carlos, do Sr. Rouault, do cego maltrapilho, do Justino; até do farmacêutico eu tive pena, e olha que ele nem precisou de um final infeliz, muito pelo contrário.
Vi algumas muitas semelhanças entre esse romance e o Ana Karenina, do Tolstói. Porém, a diferença, a grande diferença é que neste último foi possível perceber um sol, ainda que tímido, brilhando na virada da última página. Já no livro do Flaubert...
Vi algumas muitas semelhanças entre esse romance e o Ana Karenina, do Tolstói. Porém, a diferença, a grande diferença é que neste último foi possível perceber um sol, ainda que tímido, brilhando na virada da última página. Já no livro do Flaubert...
Sunday, February 19, 2006
O medo devora a alma
Tem vezes em que perco totalmente o interesse pela humanidade. Não falo de fé, que é outra coisa, mas de interesse mesmo, de vontade de vivenciar coisas em conjunto, trocar idéias, etc. É uma ausência total de estímulos, uma tamanha nulidade diante do próximo ou de qualquer coisa que o represente, que às vezes tenho a sensação de que o espelho quebrou, e então não faço mais parte da vida cotidiana - é como se eu flutuasse em uma outra dimensão, onde o único foco de interesse se apresenta sob a forma de uma ilha obscura e silenciosa, na qual eu posso, sem culpa, me entregar à mais completa solidão.
O resultado disso é um estado de coisas cuja permanência varia entre horas, dias, semanas, às vezes até meses; tendo a mais longa ultrapassado um ano...
Não é desprezo, ódio, rancor, inaptidão social...nada disso; e antes fosse, já que essas coisas, de certa forma, nos lançam para o campo (de batalha) da ação, no qual toda a encenação das relações humanas ganha corpo e forma. O que de fato acontece, pelo contrário, é que essas fases me tomam de assalto, sem aviso prévio e sem razão aparente; quando surge, simplesmente se instala e alí permanece, sem que eu possa fazer nada. Então, tudo o que em outras ocasiões me despertariam ódio, compaixão, ternura, agora se convertem em um infinito nada. Não é uma apatia no sentido comum, já que meu interesse por muitas outras coisas permanece intacto; é uma apatia única e exclusivamente pelas pessoas.
Tem momentos em que a coisa fica tão braba, que uma pontadinha de ódio por alguém já me deixa feliz. É como se eu avistasse ao longe um farol sinalizando o meu retorno à sociedade a qual, querendo ou não, pertenço; é quando eu já posso me acalmar e contar com o fim da turbulância de mais uma fase de desinteresse pelas pessoas.
Já cheguei à conclusão de que esse meu desajuste poderia me trazer uma profunda paz de espírito; mas isso, claro, somente aconteceria caso eu pudesse vivenciar o desajuste sozinho, completamente isolado dos demais, e é aqui onde aparece o problema: preciso da sociedade; preciso trabalhar, comer, me vestir, e conciliar essas coisas com a minha natureza é o mesmo que se equilibrar simultaneamente entre dois extremos. Impossível.
O resultado disso é um estado de coisas cuja permanência varia entre horas, dias, semanas, às vezes até meses; tendo a mais longa ultrapassado um ano...
Não é desprezo, ódio, rancor, inaptidão social...nada disso; e antes fosse, já que essas coisas, de certa forma, nos lançam para o campo (de batalha) da ação, no qual toda a encenação das relações humanas ganha corpo e forma. O que de fato acontece, pelo contrário, é que essas fases me tomam de assalto, sem aviso prévio e sem razão aparente; quando surge, simplesmente se instala e alí permanece, sem que eu possa fazer nada. Então, tudo o que em outras ocasiões me despertariam ódio, compaixão, ternura, agora se convertem em um infinito nada. Não é uma apatia no sentido comum, já que meu interesse por muitas outras coisas permanece intacto; é uma apatia única e exclusivamente pelas pessoas.
Tem momentos em que a coisa fica tão braba, que uma pontadinha de ódio por alguém já me deixa feliz. É como se eu avistasse ao longe um farol sinalizando o meu retorno à sociedade a qual, querendo ou não, pertenço; é quando eu já posso me acalmar e contar com o fim da turbulância de mais uma fase de desinteresse pelas pessoas.
Já cheguei à conclusão de que esse meu desajuste poderia me trazer uma profunda paz de espírito; mas isso, claro, somente aconteceria caso eu pudesse vivenciar o desajuste sozinho, completamente isolado dos demais, e é aqui onde aparece o problema: preciso da sociedade; preciso trabalhar, comer, me vestir, e conciliar essas coisas com a minha natureza é o mesmo que se equilibrar simultaneamente entre dois extremos. Impossível.
Tuesday, January 17, 2006
Competir é melhor que sonhar
Tento ao máximo fugir da mídia, mas parece que ela me persegue. Evito ligar a tv, ler os jornais e, conseqüentemente, conversar com estranhos; mas não adianta.
Pouco me ralho para o que aconteceu ou deixou de acontecer, e só procuro me informar a respeito da política e das catástrofes porque minha consciência pesa um pouco ante a idéia de ficar completamente alheio a tudo...do jeito que é bom. Mas das badalações midiáticas, principalmente essas do mundo do entretenimento, eu faço questão de passar ao longe. Porém, ontem, justamente ontem, tive um sonho esquisito; sonhei que eu concorria ao Globo de Ouro (no duro!) de melhor ator. Devo ter visto alguma chamada, em algum lugar, e isso ficou no meu subconsciente. A propósito, eu nem estava sabendo que essa premiação aconteceria na noite passada. Algo parecido ocorreu quando da morte do Papa - sonhei com que aconteceria na noite anterior ao acontecido.
Não faço a menor idéia de que filme era esse em que eu concorria, qual era meu papel, quais os outros concorrentes etc, etc... só sei que a trilha era "Nuit d'amor" (Barcarole), que também disputava o prêmio de canção - o filme devia ser bom. Ah, e como era maravilhosa a sensação de competir - foi como se eu estivesse em um pedestal; era um tal de repórteres pra lá, flashs pra cá, entrevistas...ô vaidade!
Acordei antes de descobrir se eu ganharia ou não o maldito globo de ouro; mas acho que não ganhei, pois lembro bem que eu não estava entre os mais cotados. Aliás, ainda não sei quem ganhou o quê nessa história (a de verdade); e agora, depois dessa, tenho que ir alí pesquisar.
Pouco me ralho para o que aconteceu ou deixou de acontecer, e só procuro me informar a respeito da política e das catástrofes porque minha consciência pesa um pouco ante a idéia de ficar completamente alheio a tudo...do jeito que é bom. Mas das badalações midiáticas, principalmente essas do mundo do entretenimento, eu faço questão de passar ao longe. Porém, ontem, justamente ontem, tive um sonho esquisito; sonhei que eu concorria ao Globo de Ouro (no duro!) de melhor ator. Devo ter visto alguma chamada, em algum lugar, e isso ficou no meu subconsciente. A propósito, eu nem estava sabendo que essa premiação aconteceria na noite passada. Algo parecido ocorreu quando da morte do Papa - sonhei com que aconteceria na noite anterior ao acontecido.
Não faço a menor idéia de que filme era esse em que eu concorria, qual era meu papel, quais os outros concorrentes etc, etc... só sei que a trilha era "Nuit d'amor" (Barcarole), que também disputava o prêmio de canção - o filme devia ser bom. Ah, e como era maravilhosa a sensação de competir - foi como se eu estivesse em um pedestal; era um tal de repórteres pra lá, flashs pra cá, entrevistas...ô vaidade!
Acordei antes de descobrir se eu ganharia ou não o maldito globo de ouro; mas acho que não ganhei, pois lembro bem que eu não estava entre os mais cotados. Aliás, ainda não sei quem ganhou o quê nessa história (a de verdade); e agora, depois dessa, tenho que ir alí pesquisar.
Monday, December 19, 2005
A má notícia
Todos em casa já estão devidamente informados a respeito da notícia...daquele mal irremediável, também conhecido como "a indesejada das gentes". Mas eis que o telefone toca e todos, ao mesmo tempo, correm para atender, na esperança de que tudo não tenha passado de uma brincadeira.
A vida é uma criança mal educada e cheia de querer fazer humor nas horas em que não deve.
A vida é uma criança mal educada e cheia de querer fazer humor nas horas em que não deve.
Tuesday, November 29, 2005
Sem solução!
Quando ouço um discurso do Lula, forço a imaginação para não achar esquisita a idéia do Brasil desenvolvido como os EUA, ou mesmo a França.
Tudo em vão...nem na fantasia (pelo menos na minha) isso funciona. E olha que a minha imaginação se projeta lááááá pelo ano de 2057 ! :^(
Tudo em vão...nem na fantasia (pelo menos na minha) isso funciona. E olha que a minha imaginação se projeta lááááá pelo ano de 2057 ! :^(
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