Passando a vista rapidamente pelos meus últimos posts, percebo que ando escrevendo bastante sobre literatura. Demais até para meu gosto, que é complacente. A parte boa disso é que no fim das contas eu sei que o faço sem nenhum risco de pretensão. Graças ao bom pai celestial, diga-se. Mas mesmo assim, uma coisa fica a me incomodar: sinto que estou meio que me apegando demais à literatura. E eu nasci para não me apegar a nada.
Eu só não acabo com este blog porque já o tenho faz mais de um ano - tempo suficiente para criar o hábito de escrever minhas groselhas aqui, ainda que esporadicamente. Eu bem que poderia fazer o teste e apagar, só para ver se eu vou sentir falta. Mas eu me conheço e sei que se fizer isso, em menos de um mês eu volto com outro. E pior: vou sentir saudades deste.
Sinais de cinismo: observar uma pessoa feliz da vida e imediatamente imaginar que alguém, em alguma parte do mundo, e no mesmo instante, está sendo feita de trouxa, para o bem da lei da compensação.
Sentimental é aquele que não conseguiu alcançar seu objeto de desejo e acha que pode ferir o mundo com sua ladainha adocicada. O problema é que na maioria das vezes ele consegue, já que sempre vai encontrar um idiota querendo ser o objeto-de-desejo-substituto. Então o idiota leva uma cacetada-coice do sentimental, e o ciclo interminável recomeça.
O problema das pessoas é que elas não conseguem se livrar das coisas que lhes fazem mal (masoquismo?). Um outro problema é que elas sempre gostam de uma coisa só.
Wednesday, August 02, 2006
Tuesday, July 25, 2006
E o povo constrói ídolos, e faz estátuas...e Deus não gosta
Estava eu, muito tranqüilamente, a folhear livros dentro de um desses sebos da vida, quando um corvo se revelou no topo da estante - tinha a aparência de um demônio cheio de pó. Ele não disse "nunca mais", foi breve e, além do quê, devia ter coisas mais importantes para fazer. E era um corvo tão severo que nem quis saber de muita prosopopéia. Fato é que a nossa comunicação se deu por uma transmissão de pensamentos. E foi assim que ele lançou a questão:
"Pensa rápido! Pensa rápido! Cite três autores brasileiros superestimados pelo público e crítica. Pense naqueles que merecem uma boa dose de esquecimento e poeira..."
Não deixei o corvo concluir. Devolvi a resposta instantâneamente:
- Clarice Lispector;
- Mário de Andrade;
- Luís Fernando Veríssimo
Nos pertences de uma famosa escritora dessas terras foi encontrada uma carta, posteriormente desamassada, redigida com irregulares letras de forma...mas com tinta vigorosa.
"Querida Clarice, preciso muitu lhi dizer uma coisa e vô falar com as profundezas do córação...não sou escritora, tão pouco sei escrever direito, mas o dever moral me chama. Aceite este consselhu di amiga, di mulher do povo e trabalhadeira..achu que você vai me entender, você fala muito de coisas de mulher. Eu não te cunheço, você não me cunhece, mas pensa na franqueza e no alerta de alguém qui não pode se calar dianti da verdade olcuta das coisa.
Clarice Lispequitor, por amor a Deus Pai, aceite Jesus no coração!! Porque só ele e mais ninguém vai livrar você desses fuxicos de consciença e vai expulsar as epifainhas."
ASS: Terezinha da Conceição
Rio de Janeiro, março de 1970
"Pensa rápido! Pensa rápido! Cite três autores brasileiros superestimados pelo público e crítica. Pense naqueles que merecem uma boa dose de esquecimento e poeira..."
Não deixei o corvo concluir. Devolvi a resposta instantâneamente:
- Clarice Lispector;
- Mário de Andrade;
- Luís Fernando Veríssimo
Nos pertences de uma famosa escritora dessas terras foi encontrada uma carta, posteriormente desamassada, redigida com irregulares letras de forma...mas com tinta vigorosa.
"Querida Clarice, preciso muitu lhi dizer uma coisa e vô falar com as profundezas do córação...não sou escritora, tão pouco sei escrever direito, mas o dever moral me chama. Aceite este consselhu di amiga, di mulher do povo e trabalhadeira..achu que você vai me entender, você fala muito de coisas de mulher. Eu não te cunheço, você não me cunhece, mas pensa na franqueza e no alerta de alguém qui não pode se calar dianti da verdade olcuta das coisa.
Clarice Lispequitor, por amor a Deus Pai, aceite Jesus no coração!! Porque só ele e mais ninguém vai livrar você desses fuxicos de consciença e vai expulsar as epifainhas."
ASS: Terezinha da Conceição
Rio de Janeiro, março de 1970
Thursday, June 22, 2006
The Faith
Musicas são engraçadas. Assim como os aromas, elas marcam fases das nossas vidas. Um livro que você leu aos 15 anos terá uma outra "versão" aos 25; já a música e o perfume, não. Ao invés de fazerem você refletir sobre o passado, eles transportam seu espírito para trás no tempo, e você, mesmo sem querer, carrega para sempre aquela primeira impressão.
Tenho total certeza de que, não importa o tempo que passar, no futuro, quando eu ouvir "The Faith", do Leonard Cohen, viajarei de volta para este ano de 2006, e para essa atua fase.
The Faith
(Leonard Cohen)
The sea so deep and blind
The sun, the wild regret
The club, the wheel, the mind,
O love, aren't you tired yet?
The blood, the soil, the faith
These words you can't forget
Your vow, your holy place
O love, aren't you tired yet?
A cross on every hill
A star, a minaret
So many graves to fill
O love, aren't you tired yet?
The sea so deep and blind
Where still the sun must set
And time itself unwind
O love, aren't you tired yet?
And time itself unwind
O love, aren't you tired yet?
Tenho total certeza de que, não importa o tempo que passar, no futuro, quando eu ouvir "The Faith", do Leonard Cohen, viajarei de volta para este ano de 2006, e para essa atua fase.
The Faith
(Leonard Cohen)
The sea so deep and blind
The sun, the wild regret
The club, the wheel, the mind,
O love, aren't you tired yet?
The blood, the soil, the faith
These words you can't forget
Your vow, your holy place
O love, aren't you tired yet?
A cross on every hill
A star, a minaret
So many graves to fill
O love, aren't you tired yet?
The sea so deep and blind
Where still the sun must set
And time itself unwind
O love, aren't you tired yet?
And time itself unwind
O love, aren't you tired yet?
Sunday, May 21, 2006
O Colecionador
Na contracapa de uma edição de O Colecionador (John Fowles) - Tradução de Fernando de Castro Ferro, São Paulo: Abril Cultural, 1980 - é dito que os tipos são caracterizados pela linguagem que usam. Sendo assim, a primeira parte do livro, narrada por Clegg (Calibã), é pautada pela gritante mediocridadede de seu caráter, enquanto que a segunda metade, o diário de Miranda, teria um estilo ágil, nervoso e cheio de vitalidade.
Eu não sei se a culpa é do tradutor mas, na minha honesta opinião, o que acontece é bem o contrário disso. Enquanto o livro é narrado por Clegg existe um encanto de mistério, e as coisas vão aos poucos se definindo no desenrolar da ação, com suspense e até humor.
Não nego que a personalidade de Miranda seja superior a de Clegg, mas devo dizer que a segunda metade, o diário, é muito chata. Fica um tal de G.P isso, G.P aquilo... Tive ganas de parar com a leitura. Na primeira parte do livro Miranda era inteligente e misteriosa; já na segunda, quando mergulhamos no seu íntimo diário, continuamos maravilhados com a sua singular inteligência, mas o que antes era mistério e graça, agora desaparece no meio de uma chatice, de uma histeria...A histeria eu perdoo, já que ela é a raptada da história. Mas para chatice não há perdão...no no!
Não sei qual era o escritor que dizia que as pessoas que não conhecemos bem são maravilhosas, ou algo assim. Seja lá quem foi que disse isso, eu tô com ele.
Eu não sei se a culpa é do tradutor mas, na minha honesta opinião, o que acontece é bem o contrário disso. Enquanto o livro é narrado por Clegg existe um encanto de mistério, e as coisas vão aos poucos se definindo no desenrolar da ação, com suspense e até humor.
Não nego que a personalidade de Miranda seja superior a de Clegg, mas devo dizer que a segunda metade, o diário, é muito chata. Fica um tal de G.P isso, G.P aquilo... Tive ganas de parar com a leitura. Na primeira parte do livro Miranda era inteligente e misteriosa; já na segunda, quando mergulhamos no seu íntimo diário, continuamos maravilhados com a sua singular inteligência, mas o que antes era mistério e graça, agora desaparece no meio de uma chatice, de uma histeria...A histeria eu perdoo, já que ela é a raptada da história. Mas para chatice não há perdão...no no!
Não sei qual era o escritor que dizia que as pessoas que não conhecemos bem são maravilhosas, ou algo assim. Seja lá quem foi que disse isso, eu tô com ele.
Thursday, May 18, 2006
Carta aberta para Concy Maduro
Querida Concy, confesso que de início cogitei a possibilidade de deixar tudo como está: você pensa que eu sou quem eu não sou, enquanto de cá eu calo e consinto em ser quem você pensa que eu sou, embora eu não seja.
Caso você seja quem eu penso que você é, e ainda que não seja, fico lisonjeado com sua ilustre visita. Volte sempre, e bem vinda seja.
Mas pense em mim como alguém que você não sabe quem é, pois que tenho o dever moral de informá-la que eu não sou quem você pensa que eu sou, muito embora eu tenha quase total certeza de saber quem você é.
Afinal, um de nós dois apareceu na TV ;)
Caso você seja quem eu penso que você é, e ainda que não seja, fico lisonjeado com sua ilustre visita. Volte sempre, e bem vinda seja.
Mas pense em mim como alguém que você não sabe quem é, pois que tenho o dever moral de informá-la que eu não sou quem você pensa que eu sou, muito embora eu tenha quase total certeza de saber quem você é.
Afinal, um de nós dois apareceu na TV ;)
Wednesday, May 17, 2006
Matei a charada!
Estava aqui pensando, muito sisudo e compenetrado, a respeito das falhas do teatro contemporâneo; vejá só que coisa... digo, pensava mais precisamente nesses textos escritos de uns trinta anos pra cá, e no porquê de sempre haver neles uma sobrecarga de cérebro em contraponto com uma lamentável escassez de emoção e drama. Falta do que dizer, i suppose...
O fato é que depois de dar muitas voltas e nós na cabeça cheguei à conclusão mais óbvia de todas: o que falta ao teatro moderno é tão somente a boa e velha simplicidade. O dramaturgo atual quer reinventar a roda, e tudo o que consegue fazer é criar um emaranhado de "elementos" modernosos, sempre tendo em vista o espetáculo; ou seja, tudo no sentido de literalmente montar a maldita peça. E assim nascem aquelas encenações cheias de parafernalhas, fios, cabos, figurinos de lata, isso plugando naquilo, etc. Você percebe que há uma vontade desesperada de dizer algo, e o mais inacreditável é que, em alguns casos, realmente há algo a ser dito; mas qual o quê? Fica tudo tão sufocado pelas (oh!) idéias mirabolantes, que pra você entender a tal da mensagem só mesmo procurando com muita paciência nas entrelinhas. E haja paciência, diga-se...
Por que não apredem com os antigos? Deos do céu, o teatro grego é completo. É simples, direto e (morram de inveja, mudernos) é belo. A sua cabeça não dói de tanto fazer força para entender o que aquelas pessoas tão distantes no tempo sentem e pensam durante o desenrolar da ação.
O problema do teatro moderno é que a parte complexa do texto vem na frente, para imprimir um ar inteligente, enquanto que a outra parte, que deveria ser simples, fica soterrada debaixo das grandiosas "idéias". O teatro antigo é superior porque reverte (para os olhos modernos) a ordem dessa situação.
Ah, até aqui escondi um fato: quando falo de teatro moderno estou me referindo à dramatugia brasileira, é claro. Bem feito pra mim, que insisto em chafurdar nas peças da térrinha.
O fato é que depois de dar muitas voltas e nós na cabeça cheguei à conclusão mais óbvia de todas: o que falta ao teatro moderno é tão somente a boa e velha simplicidade. O dramaturgo atual quer reinventar a roda, e tudo o que consegue fazer é criar um emaranhado de "elementos" modernosos, sempre tendo em vista o espetáculo; ou seja, tudo no sentido de literalmente montar a maldita peça. E assim nascem aquelas encenações cheias de parafernalhas, fios, cabos, figurinos de lata, isso plugando naquilo, etc. Você percebe que há uma vontade desesperada de dizer algo, e o mais inacreditável é que, em alguns casos, realmente há algo a ser dito; mas qual o quê? Fica tudo tão sufocado pelas (oh!) idéias mirabolantes, que pra você entender a tal da mensagem só mesmo procurando com muita paciência nas entrelinhas. E haja paciência, diga-se...
Por que não apredem com os antigos? Deos do céu, o teatro grego é completo. É simples, direto e (morram de inveja, mudernos) é belo. A sua cabeça não dói de tanto fazer força para entender o que aquelas pessoas tão distantes no tempo sentem e pensam durante o desenrolar da ação.
O problema do teatro moderno é que a parte complexa do texto vem na frente, para imprimir um ar inteligente, enquanto que a outra parte, que deveria ser simples, fica soterrada debaixo das grandiosas "idéias". O teatro antigo é superior porque reverte (para os olhos modernos) a ordem dessa situação.
Ah, até aqui escondi um fato: quando falo de teatro moderno estou me referindo à dramatugia brasileira, é claro. Bem feito pra mim, que insisto em chafurdar nas peças da térrinha.
Sunday, April 30, 2006
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