Sunday, May 21, 2006

O Colecionador

Na contracapa de uma edição de O Colecionador (John Fowles) - Tradução de Fernando de Castro Ferro, São Paulo: Abril Cultural, 1980 - é dito que os tipos são caracterizados pela linguagem que usam. Sendo assim, a primeira parte do livro, narrada por Clegg (Calibã), é pautada pela gritante mediocridadede de seu caráter, enquanto que a segunda metade, o diário de Miranda, teria um estilo ágil, nervoso e cheio de vitalidade.

Eu não sei se a culpa é do tradutor mas, na minha honesta opinião, o que acontece é bem o contrário disso. Enquanto o livro é narrado por Clegg existe um encanto de mistério, e as coisas vão aos poucos se definindo no desenrolar da ação, com suspense e até humor.
Não nego que a personalidade de Miranda seja superior a de Clegg, mas devo dizer que a segunda metade, o diário, é muito chata. Fica um tal de G.P isso, G.P aquilo... Tive ganas de parar com a leitura. Na primeira parte do livro Miranda era inteligente e misteriosa; já na segunda, quando mergulhamos no seu íntimo diário, continuamos maravilhados com a sua singular inteligência, mas o que antes era mistério e graça, agora desaparece no meio de uma chatice, de uma histeria...A histeria eu perdoo, já que ela é a raptada da história. Mas para chatice não há perdão...no no!

Não sei qual era o escritor que dizia que as pessoas que não conhecemos bem são maravilhosas, ou algo assim. Seja lá quem foi que disse isso, eu tô com ele.

5 comments:

Guilherme Montana said...

Interessante. Vou pesquisar esse livro. Não é coisa fácil dois narradores de uma mesma história (pelo que entendi) no mesmo livro. Agora preciso conferir, ou seja, ler o tal livro, pra saber ver esse lance de "tipos caracterizados pela linguagem que usam".

Sofia di Luna said...

Eu estou pensando em comprar este livro, queria saber se vc me recomenda, ou acha q deveria procurar outro?

DYKE DAN said...

Infelizmente, discordo de vc, meu caro.

A mente de Clegg é superior a da Miranda. Ela poderia muito mais tentar entender Clegg, porém era muito suscetível a qualquer coisa ou sentimento, próprio do feminino.

Clegg era constante e não se colocava em dúvidas como Miranda.

Ponto pra mim.

Desarranjo Sintético said...

Hum...Eu estou lendo esse livro e estou adorando! Até concordo que talvez a Miranda tenha mesmo um mistério maior na primeira parte, mas isso não deixa o livro ruim. Pode até ter umsa partes meio chatas falando do tal G.P., mas faz parte. Eu estou gostando muito! Recomendo a todos!

Marina said...

Gosto muitissímo desta obra, e concordo contigo em relação a chatice e mesmice da personagem, mas me prendeu, também, a segunda parte do livro, enfim. Conhece as obras de Pearl S. Buck? Recomendo "A Boa Terra" em especial, fascinante obra. Aliás esta autora é um espetáculo a parte na literatura americana. http://pt.wikipedia.org/wiki/Pearl_S._Buck

Abraço.